Café da manhã...é quase uma festa, ou melhor dizendo, uma feira. O pessoal das oito horas está esperando o pão chegar, e propositalmente espera também o pessoal das nove chegar. Ou seja, o expediente começa depois do café, bendito café!
Quando o Josias vai ao mercado, as horas passam, como é bastante conhecido no bairro, pára para conversar com todo mundo, parece até político em época de eleição. Mas, quando é Maisé quem vai, em um breve instante está de volta, como se diz “vai num pé e volto no outro”.
Chegou, o tão esperado alimento dos deuses. Apareceu também o restante do povo: Janaína, mulher simpática, faladeira, não fofoqueira, mas quando conta uma estória, explica todos os detalhes, e acaba se perdendo do contexto, Renata, parece uma menina, tem um jeitinho meigo, mas se “pisar no calo” vira uma fera, tem vários dons, um deles é saber cantar, outro é imitar o pato Donald, muito engraçado; Michele, uma morena da cor do pecado, como diz a repartição masculina, é muito interessada nas coisas impossíveis de se resolver, quer fazer tudo que não faça parte de sua função, mas é competente, Sales, único homem da empresa, coitado, este sofre, sofre mais porque, ainda por cima, é tímido, principalmente, quando a mulherada se concentra para reclamar dos homens, ou para falar de interesses pessoais. Ahhh... Nessas horas, o coitado sai de fininho...
Que delícia, todos na cantina, procurando faca, colher, copo e utensílios escassos que somem toda noite, já foi dito que tem um grande rato que pega todas essas coisas assim que as portas se fecham e a escuridão toma conta do lugar. Que barulho!
Débora, com a boca cheia começa a falar, ou melhor, a gritar, jogando migalhas para todo lado:
_ Caral (piiiiiii). Esse pão “tá” muito bom!
Luciana se assusta:
_ Que isso!!! Débora, falando de boca cheia e ainda por cima grita um palavrão, o pessoal da esquina ainda não escutou!
_ Ah, Luciana, não enche! Já de manhã, ninguém merece...
Entra no papo Janaína:
_ NOS- SA! Já de manhã, nesse humor! Não agüento mais isso... Vocês só sabem brigar?
Luciana começa a se irritar, que não é raro, entra na “pilha” rápido:
_ Foi ela que começou! E a gente não está brigando. Só estamos discutindo. A Débora não sabe receber uma crítica sem ficar chateada.
_ Se isso não for brigar, imagino quando vocês realmente estiverem brigando, vão sair no tapa, faca, e sei lá o que mais. Disse Michele com convicção. E só mais uma coisa:
_ A Maisé não é empregada de ninguém, a gente depois que tomar café, tem que arrumar tudo e lavar a louça.
Branca, que não gosta de ser criticada, começa a discussão:
_ Mas eu não deixo nada fora do lugar, assim que eu como eu arrumo a minha bagunça!
Rose querendo implicar com Branca, comenta:
_ Sei...o mesmo que você faz lá em casa...arruma tudinho...
Todos entram em uma gargalhada.
Branca fica irritada, faz careta e sai para o jardim “bufando”:
_ Estou “bolada” com você. Diz ela, olhando para Rose.
_ Ah, pára com isso, só estou brincando com você.
_ Assim você me deixa sem graça perto dos outros. Diz Branca chateada.
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4 comentários:
É impressão minha ou estou tendo um "Deja vu"?
Esse filme eu já conheço e, se não me engano, faço parte dele...
Estou ansiosa pelo desenrolar dessa novela ficcional da nossa vida diária!!
Beijos!!
Tímido? Ou agredido?
Realmente esse café da manhã é exatamente como foi descrito. Dei muitas gargalhadas e acho que vou continuar rindo horrores com todas essas estórias!!!
Acho que conheço alguns personagens dessa história, que diga-se de passagem, muito interessante e verídica.
Adorei. O pessoal das oito espera o das nove e o expediente só começa depois do café......
Beijos!!!
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